segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O perigo invisível.


Síndrome do pânico: o perigo invisível
Quando o medo não tem sentido

O que fazer quando não dá para lutar, nem fugir? Como agir quando o perigo mora dentro de nós?

A síndrome do pânico ou transtorno de pânico costuma causar muito estranhamento, porque a ameaça é invisível, não existe um objeto ou situação real que esteja provocando a situação de medo. Os ataques de pânico surgem aparentemente do nada e geralmente são recorrentes.
Normalmente quando temos medo de alguma coisa ou situação, temos a escolha de enfrentar, evitar ou ainda fugir. No entanto quando a ameaça é interna quando o medo nos habita, o que fazer?Não podemos fugir de nós mesmos, por isso a sensação de pânico é tão intensa e incompreensível.

Como a pessoa não entende o que está sentindo, as reações somáticas passam a ser alvo de sua atenção e consequentemente são potencializadas a ponto da pessoa ter a sensação de que pode morrer ou sofrer um ataque cardíaco. O corpo passa então a ser uma ameaça constante, diante dessa experiência de perigo interno, a pessoa passa a reagir com ansiedade e pânico, tendo vários sintomas físicos, emocionais e cognitivos.

O medo gerado pela síndrome do pânico, não tem sentido para a pessoa que o vivência, mas na realidade este sentido existe, basta focarmos a nossa atenção para a história de vida da pessoa, para as transições de vida, as mudanças que ocorreram antes de sua primeira reação de pânico, para os aspectos constitucionais e para o modo como esta pessoa interpreta as situações, aí talvez se encontrem as bases geradoras do primeiro ataque de pânico. Os ataques seguintes normalmente são decorrentes do próprio medo de se ter outro ataque, o que se transforma em uma "bola de neve", uma espécie de reação em cadeia.

Quem sofre com a síndrome do pânico, precisa entender o processo de formação das reações de pânico, para que então possa ter maiores condições de lidar com ele e futuramente evitá-lo.
O que então é o transtorno de pânico?

A palavra pânico vem do grego "Panikon" que significa susto ou pavor repetitivo. Na mitologia grega o Deus pã que possuía chifres e pé de bode provocava medo nos camponeses.
Segundo o DSM (manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais), este transtorno é definido como um transtorno de ansiedade, caracterizado por ataques recorrentes de pânico com ou sem agorafobia.

Como já foi mencionado acima a primeira crise de pânico ocorre sem nenhum motivo aparente para quem a sente, porém as crises subsequentes começam a se ligar às situações ou objetos que estavam relacionados à primeira sensação de pânico. O desenvolvimento da agorafobia ocorre porque os pacientes passam a temer sofrer novo ataque de pânico onde um anterior já tenha acontecido (elevador ou lugares fechados, por exemplo).

O que diferencia o pânico da fobia, é que no pânico a causa do medo é endógena (dentro do próprio indivíduo) e na fobia o medo é de algo externo a ele.

Os principais sintomas são:
Um curto período de intenso medo ou desconforto em que quatro ou mais dos seguintes sintomas aparecem abruptamente e alcançam o pico em cerca de 10 minutos.
Falta de ar , desconforto no peito, aceleração dos batimentos cardíacos, suor excessivo (nas mãos e no corpo), tremores nas mãos ou no corpo, náusea ou mal estar na barriga, sensação de asfixia (sufocação), sensação de que poderá desmaiar (durante a crise), formigamento nas mãos ou partes do corpo, sensação que poderá morrer durante a crise, sensação de estar perdendo o controle ou estar ficando louco.

As crises de pânico costumam ser intensas e gerar grande sofrimento, no entanto como toda e qualquer crise, pode se tornar uma oportunidade de transformação. A palavra crise advém da palavra crisálida que nada mais é do que o casulo da borboleta, sua forma anterior. Às vezes se torna necessário passar por momentos de crise para que se tenha a oportunidade de aprendizado e auto-conhecimento e transformação.

Autor: Ana Lúcia Lima Carneiro
Blog: terapiaesaude.blogspot.com

E você?
Já sentiu algo semelhante ou conhece alguém que tenha tido os sintomas descritos acima?

Sua participação é importante... 



9 comentários:

  1. Olá passei para conhecer seu blog ele é not°10, show, espetacular, muito maneiro com excelente conteúdo você fez um ótimo trabalho desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
    Um grande abraço e tudo de bom e aceitei você como amigo no diHITT
    Um grande abraço e tudo de bom

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  2. Olá Andréa, é um prazer estar aqui novamente. A matéria que você nos traz é muito interessante e didática é muito bom que conheçamos este mal afim de sermos capazes de identifica-lo e termos noção de seu funcionamento para ajudarmos aqueles em nossa volta que venham a manifesta-lo. Eu tive uma professora(ainda no colegial) que sofreu deste mal, no caso dela estava diretamente ligado ao stress, ela fazia muita coisa ao mesmo tempo, trabalhava, lecionava e preparava sua tese de Doutorado, não vivia, provavelmente(aí estou especulando) o panico tenha nascido de não conseguir realizar tudo que desejava. Era uma mulher poderosa e admirável, alguns anos depois a encontrei em um onibus, já estava bastante melhor, mas ainda não era a mesma pessoa, não sei se por causa da síndrome, ou do amadurecimento ao enfrenta-la, mas parecia mais triste.
    GRANDE Abraço querida amiga.

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  3. Oi Rodrigo.
    Nossa...fiquei até vermelha com tantos elogios rsrsrsrs.
    Que bom que você gostou, é isso que me dá coragem de continuar a luta diária.
    Visitei o Forma Máxima e achei o máximo, muito bom mesmo mas, de cara percebi que tenho muitos hábitos para mudar, voltarei mais vezes para aprender com as dicas do se site.
    Obrigada pelo carinho e volte sempre.
    Um abraço.

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  4. Oi amigo Ademar, o prazer é meu porque você é uma visita ilustre e sempre bem-vinda.
    Pela minha experiência de muitos anos com a doença eu sempre senti a necessidade de que mais e mais pessoas tivessem acesso a informações para poder não só identificar os sintomas mas também ajudar o próximo que nesse caso na grande maioria das vezes é incompreendido.
    Quanto a sua antiga professora o que mais me chama a atenção no seu comentário é que ela anos depois ela parecia mais triste, a síndrome é recidiva e isso pode ser a causa de uma vida mais triste, sempre temos medo que a doença volte.
    Um abração.

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  5. Olá Andréa!
    Fabulosa essa publicação! E como é pertinente, principalmente nos dias de hoje, onde cada vez mais pessoas se sentem ameaçadas por diversos tipos de medos, muitos deles invisíveis e incompreensíveis!
    Eu acredito que o processo todo, se não detectado a tempo, pode agravar e levar as pessoas à loucuras extremas! Conheço muitas pessoas que sofrem dessa "doença" e que se trancam em suas casas acreditando que assim estão seguras do mundo! Mas a questão é que sempre se sentem inseguras consigo e aí não adianta fugirem, pois nunca haverá lugar seguro! Eu tive um princípio disso uma vez quando sofri um sequestro. Passei alguns bons meses trancada em casa e com medo até mesmo do toque do telefone, pois em minha mente seria sempre um dos sequestradores querendo me torturar! No final, acabei passando por outro processo onde tive que deixar minha raiva emergir para que eu pudesse colocar para fora todos os meus temores e eu mesma poder lutar contra eles! Isso mostra que a retenção dos sentimentos, sejam eles bons ou ruins, acabam nos prejudicando! Hoje, lido com qualquer medo, colocando-o de frente e lutando até que ele parta. Não é fácil, mas ao menos não aprisiona!
    Grande beijo e parabéns pela excelente matéria!
    Jackie

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  6. Oi Jackie.
    Eu sei bem o que é ficar trancada em casa com medo do mundo e sem saber que o medo estava era dentro de mim, passei muito tempo sem “ir à esquina” sozinha, e mesmo acompanhada as crises aconteciam. O processo é muito doloroso até termos o diagnóstico correto, e depois ainda temos que nos adaptar as medicações e as próprias crises.
    Lendo seu depoimento tentei me colocar no seu lugar “de seqüestrada”, foi só uma rápida tentativa pois, os meus medos estão a flor da pele... Somente esse simples exercício de imaginação poderia gerar uma crise, parece inacreditável que isso possa acontecer mas, você pelo que passou sabe que sem auto-controle nossos pensamentos na maioria das vezes negativos, voam e a consequência é medo + medo= pânico.
    Parabéns por ter superado tudo o que você passou, isso mostra sua coragem e garra.
    Um beijão FENIX.

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  7. Olá Jackie
    Tb sofro desse mal.
    Parece q já estou superando...rs. faz 2 anos q não tenho crises, graças a Deus
    Não desejo isso p/ pior cachorro sarnento na rua, p/ meu pior inimigo, pro pior ser humano que exista.
    O que me ajudou muito, não sei se serve para outras pessoas, mas é nao deixar virar uma bola de neve.
    Cada medo, fobia, estresse q eu tive, aglomerado de gente, shopping, dormir e pensar que ia morrer, fui combatendo.
    Claro que não foi fácil, como disse, só queremos ficar em posição fetal.
    Agora, depois de 3 anos de tratamento, estou muito bem, mas não sem confrontar os medos.
    Importantíssimo acho que pra quem sofre, se tomar ou receitarem remedios, por 15 dias, durmam sozinhos
    Os pesadelos no começo são terriveis
    Espero que todos que aqui escreveram, excelente post, consigam voltar a ter uma vida normal, como estou conseguindo.
    Abraço a todos
    André

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  8. Sei bem o que é isso ,tive alguns desses sintomas quando trabalhava em uma empresa de parentes,tinha muitas cobranças ,não tinha uma função definida ,não dava conta e vinham as cobranças ,te pago x para isso...mas não reconhecia meus esforços .podia está tudo bem ,mas quando eu sabia que a chefe estava pra chegar começava a tremer ,mãos suava ,acelerava o coração ,ja não estava dormindo direito.passei por sessões de terapia e decidi sair da empresa. hoje estou bem melhor.

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  9. Oi você é especial.
    Esses sintomas são muito desagradáveis e podem durar muitos anos ou apenas algum tempo que parece ter sido o seu caso, fico feliz em saber que agora esta tudo bem.
    Obrigada pela participação e por seguir nosso espaço.
    Um abraço.

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